27 maio 2014

Sem título 2005.1

Ainda que me faltem as palavras
Para falar do meu sentimento antigo
Me terá o próprio sentimento
E não precisarei dizer o que sinto

Por mais que tente precisar meus lamentos
Os signos não o conseguiriam fazê-lo
Cuido para manter minhas alegrias
Minhas virtudes não falo, tenho zelo

Isso que de mim se externa
Não é uma gota que valha
Nesse mar de pensamentos
Que só a chuva apaga

E uma borracha de verdades
Ajuda a podar minha fantasia
Que um lápis solta sem jeito

Cheio de emoções e monotonia

Nós

Meus pequenos,
meus pequenos

Somos nós

Desatemo-nos

Somos laços

Abracemo-nos

Semeadura

Quem começou essa viagem?
Quem será que deu start
E iniciou o giro da engrenagem?

A natureza é morta para alguns olhos
Mas o vento sopra
A terra gira
E as flores nascem

Podem parar tudo e começar de novo
Não do princípio
Mas de onde se perdeu a trilha da semeadura
Basta o brilho de qualquer luz do alto
O olhar à qualquer clichê amado

Lança os pensamentos ao chão
E arremessa sementes ao vento
A terra gira
E as flores crescem

As noites podem ser escuras
As ambições por vezes turvas
Os desejos pálidos ou insanos

Façam silêncio
Respirem

Os dias ainda são quentes
A brisa morna

A terra gira
E as flores... ah... as flores

16 junho 2012

Cá de dentro

Retomando as atividades do dia. Li outro dia que o "O mundo é para quem nasce para o conquistar e não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão". Daí chego a algumas máximas...


Despertem digitais travadas
deste sono bom da rotina
Deste luxo sem razão
das mesmas manhãs de leite morno e pão


Faz o que tem que fazer
não deixa que se cale a mão
Bloqueia esse acalanto insoso
torna-te seu próprio impávido e colosso


Falo por mim apenas
e não por mais ninguém
A mão que me acorda agora
é a mesma que fechou os olhos outrora


Aproveita a alvorada
lava o rosto, varre a calçada
Que de onde vem o suor de sua luta
É do Sol é vida, terra, semente, flor e fruta

27 setembro 2010

Almas a venda

Recomendo. Não compartilho em nada o jeito como o filme trata a "alma", mas é interessante. O (muito bom) Paul Giamatti se apresenta como ele mesmo no filme, mas dá um nó na cabeça tentando interpretar um personagem e resolve descansar um pouco a alma, deixando ela no Soul Storage (Guarda almas). Só que um problema com tráfico de almas atrapalha mais ainda a história do rapaz.
Vi comentários do tipo "hilariante", "humor negro"... não achei nem uma coisa nem outra. É um filme interessante que tem uma pitada de non sense, temperado com a melancolia e sofrimento do protagonista. Mas não deixa de nos trazer algumas risadas... Grão de bico... rsrs

Sinceridade, faltou um final mais tcham nan nan...

26 setembro 2010

Essa onda estranha

Maceió, eu, a mulher e a sogra caminhando na calçada da Pajuçara, beira de praia, sol e... montes de carros. Buzina, trio elétrico, carro de som, teletubies, anão gay dançarino, palhaços, helicóptero arremessando "santinhos", Collor. Sim, o que podia ter de bizarrice para atrapalhar a paz e tranquilidade da minha caminhada, apareceu. Circo de horrores.

Mas o que me motiva a postar aqui hoje não é isso. É a minha cara de O... Ó! Estatelação. Doug Funnie poderia dizer que me senti impotente estupefato. Algo assim. A massa é tosca. Não sei o quanto preciso comentar pra me fazer entender. Não sei se basta citar os nomes de alguns dos candidatos mais fortes em Alagoas: Collor... Renan Calheiros...

Das duas uma... Ou eu vivi em um mundo paralelo onde essas pessoas roubaram, estrapolaram, desviaram e etc e tal (ponha nesse tal, tudo que eles tiveram "direito") enquanto no mundo real eles foram pessoas honestas e verdadeiros heróis da nossa pátria... Ou só eu estava no mundo real e quem viu o que aconteceu, esqueceu.

Não sei se preciso explicar ou basta citar nomes... Fiquei olhando o povo passar ecoando a música de Collor (Onde Collor vai passando, vai levando do povo) e pensando: "Meu Deus, são todos burros ou eu estou errado?". "Deixa o Renan trabalhar". Como assim? Alguém impediu da outra vez? Trabalhar?

Eu trabalho! Meus pais trabalham! Meu vizinho trabalha! Não sei qual a definição de trabalho pra esse gente. Enfim... só vendo esse povo suando atrás do trio, me veio uma luz e me fez entender o motivo de Tiririca ser herói da resistência.

23 agosto 2010

Promoção da boa

O pessoal da comunidade literária Skoob, está fazendo uma promoção das muito boas! Acesse o site e se cadastre-se, a partir daí você já está concorrendo a um dos prêmios à escolha: um iPad ou então 100 livros.

E eles ainda sortearão mais 100 livros pra outros concorrentes, no fim da promoção. O sorteio acontece no dia 18/09! Basta se registrar para concorrer!

Eu me cadastrei e escolhi meu iPad... mas a escolha é sua... ;)

14 abril 2010

O horla

O autor desta história é o "pai do conto fantástico", o francês Guy de Maupassant. É uma daquelas histórias que te fazem dormir com a luz acesa. Clica aqui pra ler: AQUI

Peguei no blog Contos Fantásticos. Vale a pena a leitura.

29 março 2010

Animações...

Venho por meio dessas mal traçadas linhas, fazer recomendações minhas...

Tava esses dias mei que me perguntando que cousas um filme híbrido tava fazendo no meio dos indicados ao Oscar... Não que o Oscar seja minha referência mor para classificar filmes bons ou não e coisa e tal. Mas enfim... Mais por conta de um certo desconforto e pensando que em breve poderia assistir na telinha e me arrepender do que por qualquer outro tipo de interesse, resolvi levar a mulher pra assistir Avatar na telona em 3d. No'senhora! Pense num Vinicius surpreso... pensou? Era eu... Fantástico! Assistam e não se arrependerão...

Agora pense que já parei de pensar nesse filme porque fiquei estupefato com outro filme... Acabo de assistir Up - Altas Aventuras... Quando foi mesmo que uma animação concorreu ao Oscar de melhor filme? Pois sim. Bonito demais da conta. A história prende nossos sentimentos nos levando a rir e chorar (eu não chorei não, mas minha mulher é bem manteiga pra essas coisas) rsrs...

Ficam as dicas: Avatar (3d) e Up - Altas Aventuras!

03 fevereiro 2010

O homem, as viagens

Sem querer interferir na sua leitura, mas só pense no tanto que se investe em dinheiro, tempo, inteligência, etc, nos projetos da Nasa, Copas do mundo, guerras... tudo isso enquanto ainda tem gente passando fome no mundo... discurso trivial né? Mais uma pros revolucionários de sofá...

Nesse dia 2 de fevereiro, vi uma apresentação muito interessante do famoso Zé da Mala, personagem ilustre do teatro de rua que se apresenta em ônibus e praças de Salvador, interpretado pelo amigo Gabriel Bandarra. O dito cujo, entre outras conversas, recitou este fantástico e inspirado poema que segue abaixo, de autoria de Carlos Drummond de Andrade. Leia todo... é bom pra se pensar.


O Homem; As Viagens

O homem, bicho da terra tão pequeno
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.

Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto — é isto?
Idem
Idem
Idem.

O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.