Na porta do almoço pedindo esmolas menino
De qualquer valor que seja
Só pra suprir um pouquinho da pobreza
Sem me pedir opinião nem conselho
Sem saber se eu tinha ou não
Pra gastar com sopa, droga ou pão
E voltar depois, morar no lixo
Porta de casa, barro, magra cadela
De qualquer valor que seja
Só pra suprir um pouquinho da agonia
Qualquer olhar já serve ou um não que seja
Pra lembrar que é gente também
Que parece de mal mas é de bem
E livrai de todo mal, do mal, amém
31 julho 2009
19 julho 2009
Ma beibe baía
Ma beibe baía
Da baía da Bahia
Sim, da baía da Bahia
Ó chique ma beibe baía
De santana ou de Maria
Ma beibe todo dia
Beibe baía minha mulher
Ma beibe da vida brasil
De vermelho ardil e de chique poesia
Rima de anil, de maio e de maio até abril
De barra de praia de ginga e palavra
De dança e de rua, de crença e de casa
Ma beibe baía, ó sim
Da Bahia, ó sim da Bahia
Musa musa chuique de mim
Beibe sim, baía sim
Beibe ma baía
Ma beibe baía
Da baía da Bahia
Sim, da baía da Bahia
Ó chique ma beibe baía
De santana ou de Maria
Ma beibe todo dia
Beibe baía minha mulher
Ma beibe da vida brasil
De vermelho ardil e de chique poesia
Rima de anil, de maio e de maio até abril
De barra de praia de ginga e palavra
De dança e de rua, de crença e de casa
Ma beibe baía, ó sim
Da Bahia, ó sim da Bahia
Musa musa chuique de mim
Beibe sim, baía sim
Beibe ma baía
Ma beibe baía
10 julho 2009
Opa! Menino de rua
Um num poste, outro no outro
Um me pede, outro também
Não dou pra um nem pro outro
Se um não tem, outro também
Um que nem o outro
Outro que nem o um
E eu? Eu também
Um me pede, outro também
Não dou pra um nem pro outro
Se um não tem, outro também
Um que nem o outro
Outro que nem o um
E eu? Eu também
09 julho 2009
Vai um tempo que não rola
Ele pensou que ia dar certo
Que ia ser pra sempre assim
E que chacota...
Caramba moça
Ele não podia ter te visto antes?
Não podia ser feliz assim desse jeitinho?
Pra que tanta patota
Pra que quer ser ruim?
É nessa de bonzinho que dá certo no fim
Caramba seu moço...
Não dá pra deixar pra depois
Não dá pra esperar mais não
Olha ali adiante ó
Cê já viu, pra que fingir
É tudo claro e evidente
Não há do que fugir
Nem de você, nem de mim
Nem dela, nem do fim
Eu tô falando da vida
Só da vida... só
Ai ai... a vida...
Que ia ser pra sempre assim
E que chacota...
Caramba moça
Ele não podia ter te visto antes?
Não podia ser feliz assim desse jeitinho?
Pra que tanta patota
Pra que quer ser ruim?
É nessa de bonzinho que dá certo no fim
Caramba seu moço...
Não dá pra deixar pra depois
Não dá pra esperar mais não
Olha ali adiante ó
Cê já viu, pra que fingir
É tudo claro e evidente
Não há do que fugir
Nem de você, nem de mim
Nem dela, nem do fim
Eu tô falando da vida
Só da vida... só
Ai ai... a vida...
06 março 2008
Pela felicidade
Pela felicidade do povo da terra
Pela alegria que eu não encontro mais
Em todo dia que eu olho esses olhos
Que eu choro que eu grito menino rapaz
Menina mocinha mulher toda ela
Que chora escondida deitada na cama
Que sofre de amor que pena que chora
Não sabe se é fome se é frio porque chama
Essa mulher ai ai
Esse mocinho rapaz
Que já não sofre mais
Olha olha ela cantando
Olha olha ele gostando
É essa alegria
O que tava faltando
Pela alegria que eu não encontro mais
Em todo dia que eu olho esses olhos
Que eu choro que eu grito menino rapaz
Menina mocinha mulher toda ela
Que chora escondida deitada na cama
Que sofre de amor que pena que chora
Não sabe se é fome se é frio porque chama
Essa mulher ai ai
Esse mocinho rapaz
Que já não sofre mais
Olha olha ela cantando
Olha olha ele gostando
É essa alegria
O que tava faltando
16 janeiro 2008
Solar
Debaixo da sombra do meu pesar
Meu pesar deixa meu corpo curvo
Meu andar se torna fatigante
Se torna solitário andar
Me torna mais um pobre coitado
Ao meu redor o povo é o mesmo povo de sempre
Casas são as casas de sempre
E os bueiros os mesmos também
Os caminhos levam aos mesmos cantos
Mesmos cantos de sempre
Nesses redemoinhos de vento eu paro
Levanto minha cabeça e meu olhar vem junto
E o horizonte é o mesmo de sempre
E as palavras ditas como antes
Ouvidas ou não como sempre foram
Mas consigo um instante dessa luz pra mim
E à luz desse Sol eu vejo além
Se faz uma nova paisagem à minhas vistas
É quando todo o preto e branco se colore
Mudando o que antes eu chamava monótono
Apenas pela muda do jeito de olhar
Apenas pela leveza de um momento
Apenas pelo vento que soprou no meu pé de ouvido
E pelo monólogo que dialogou na minha cabeça
Por isso tudo eu mudei e vi
E se torna largo o caminho em frente
Claro o calçamento de pedras polidas e coloridas
Viva a flor à beira da calçada
Afastada dos pés humanos que lhe assombra
E das lagartas de fogo que lhe queimam
A consciência agora é limpa
E o olhar objetivo
Objetiva a nova oratória
Concisas as idéias
Coerentes as ações
Tudo só por causa do novo jeito de amar
Por descobrir onde se limita a vida
E a descoberta de que esse limite não encerra
É uma porta a ser transposta
Com uma chave que ainda não lhe cabe no bolso
O sol brilha e brilhará
A luz da lua também
Na luminária da minha cabeceira mando eu
E na clarabóia e na janela que são minhas
Solar
Meu pesar deixa meu corpo curvo
Meu andar se torna fatigante
Se torna solitário andar
Me torna mais um pobre coitado
Ao meu redor o povo é o mesmo povo de sempre
Casas são as casas de sempre
E os bueiros os mesmos também
Os caminhos levam aos mesmos cantos
Mesmos cantos de sempre
Nesses redemoinhos de vento eu paro
Levanto minha cabeça e meu olhar vem junto
E o horizonte é o mesmo de sempre
E as palavras ditas como antes
Ouvidas ou não como sempre foram
Mas consigo um instante dessa luz pra mim
E à luz desse Sol eu vejo além
Se faz uma nova paisagem à minhas vistas
É quando todo o preto e branco se colore
Mudando o que antes eu chamava monótono
Apenas pela muda do jeito de olhar
Apenas pela leveza de um momento
Apenas pelo vento que soprou no meu pé de ouvido
E pelo monólogo que dialogou na minha cabeça
Por isso tudo eu mudei e vi
E se torna largo o caminho em frente
Claro o calçamento de pedras polidas e coloridas
Viva a flor à beira da calçada
Afastada dos pés humanos que lhe assombra
E das lagartas de fogo que lhe queimam
A consciência agora é limpa
E o olhar objetivo
Objetiva a nova oratória
Concisas as idéias
Coerentes as ações
Tudo só por causa do novo jeito de amar
Por descobrir onde se limita a vida
E a descoberta de que esse limite não encerra
É uma porta a ser transposta
Com uma chave que ainda não lhe cabe no bolso
O sol brilha e brilhará
A luz da lua também
Na luminária da minha cabeceira mando eu
E na clarabóia e na janela que são minhas
Solar
12 janeiro 2008
Depois de tudo
A mãe de jorge morreu
A tia dele foi também
Jorge agora está sozinho
Num velho casarão onde não mora ninguém
Helinho foi embora
Joana casou e teve três
O cachorro foi roubado por alguém
E ele não quer largar tudo de vez
Tudo que restou foi um costume
Acordar todo dia e ir para a janela
Num mesmo cômodo onde sua vida toda se ajunta
E ainda com frio diz que a vida é justa e bela
Eu fiquei ouvindo Jorge falar
Ouvi suas súplicas que eu não podia atender
Jorge chorou
Se angustiou
Suspirou e olhou
Eu disse "calma" ele disse:
"Ô! Ai ai..."
A tia dele foi também
Jorge agora está sozinho
Num velho casarão onde não mora ninguém
Helinho foi embora
Joana casou e teve três
O cachorro foi roubado por alguém
E ele não quer largar tudo de vez
Tudo que restou foi um costume
Acordar todo dia e ir para a janela
Num mesmo cômodo onde sua vida toda se ajunta
E ainda com frio diz que a vida é justa e bela
Eu fiquei ouvindo Jorge falar
Ouvi suas súplicas que eu não podia atender
Jorge chorou
Se angustiou
Suspirou e olhou
Eu disse "calma" ele disse:
"Ô! Ai ai..."
12 outubro 2007
Eu... falando só
Não entendi de onde veio isso
De repente se importam com meu jeito de pensar
De repente eu me vi rodeado por pensamentos
Eu... reprimido pelas lamentações
Tanta gente passando por mim
Tantos comentários maldosos
Tanta gente desfilando pelas ruas de pedra
E eu, aqui, querendo entender
Querendo pedir luz para esses adultos criancinhas
Pra ver se alguém me ajuda a dar um jeito nesse mundo
Mas ninguém me ouve e aqui estou
Eu... falando só
Mas é só um desabafo de quem só matura idéias
Tudo eu olho pela janela e não saio de casa
Só mais um que ainda não fala nada
Que acha que é mudo e se faz de surdo pra não chorar
Pra poder abafar o choro desse povo que ri
Desse povo que nem sabe o motivo do riso
Quem tem não fala. Quem não tem também não fala.
E eu? O que vou falar? Com quem?
Eu... falando só
22 setembro 2007
Ô mô diah

Num dialeto estranho ela me olhou
Numa linguagem que ninguém entendeu
Achando que era coisa de passagem
E que ninguém notaria
Pensando eu que fosse diferente...
Me disse: "ô fio... num sei como cê mi guenta"
Assim mesmo sem pontuação no final
"Eu também não prezada senhora"
Mas antes nessa de melancolia
Do que numa de rancor e arrependimento
Melhor esses sons da cidade ruidosa
Do que numa de me ouvir o dia todo
(...) e prestar atenção (...) porque eu sofria (...) e não sabia de muitas coisas.

Mas é porque eu via gente dormindo na rua
Eu via meninos passando fome na calçada
E brincando de bolha de sabão nos para-brisas
E de casinha com boneca de verdade
Eu passava e me comovia e não dizia nada
Eu sofria e não tinha ação
Escrevia pra mim mesmo
Cantava sozinho
"Triste Bahia ó quão dessemelhante"
Essa terra de ninguém
Essa terra da técnica de defesa pessoal
Eles me dissera "isso é problema seu"
Não sofro mais por mim
08 julho 2007
Adeus ó Esteves!

O mundo daquela moça se foi
O vento bateu forte pra ela
Enquanto ela dormia o pior passou
E foi melhor assim...
O vento bateu forte pra ela
Enquanto ela dormia o pior passou
E foi melhor assim...
Todos os sonhos foram gastos
Mas nenhum deles foi jogado fora
Nada aconteceu por acaso
Nada do sonho se perdeu ao despertar, nada!
Mas nenhum deles foi jogado fora
Nada aconteceu por acaso
Nada do sonho se perdeu ao despertar, nada!
Ele fez o melhor que podia
O que podia era sorrir e fazer quem ele tanto amava feliz
O que podia era sorrir e fazer quem ele tanto amava feliz
Era lutar até o fim para sustentar aquele sorriso hoje inesquecivel
Mártir... nessa fé por um mundo mais justo
E numa despedida que encerrava toda aquela história
Adeus ó Esteves...
Adeus, Lenin!
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