21 agosto 2009

Em breve... mudanças

Já ouviu falar em "Ordem e Progresso"? Eu conheço também "Ordem pro Progresso"... e ainda algo semelhante à "Somente com Ordem chegaremos ao Progresso. Então, enfim, entendeu né?

Meu país é uma bagunça, neguinho faz o que quer (desde que não seja negro) e o que não quer (isso negro pode) e dá tudo no mesmo.

Tô querendo instituir minha lei de ordem de prisão pra quem jogar papel de bala e panfleto de crente na rua. Querendo instituir minha lei de proibição aos carros de som, com ordem de prisão caso o mesmo seja flagrado em época de eleição e caso o motorista seja putão. Prometo ainda... ops... quero também aprovar uma ementa constitucional proibindo o governo de ficar vendendo minhas coisas. A última foi a BR-324: venderam, eu não vi o dinheiro, e ainda vou ter que pagar pra usar! Que otário, não?

Enfim, resta eu me formar na federal, que você ajudou a pagar, e sair do país sem ter te dado retorno nenhum pra ganhar muito mais do que você e em Euro. Que otário, não? (agora eu falei de você rsrs)

14 agosto 2009

Passeata pra gente mesmo

O povo se reune mais uma vez numa manifestação tribal.
Em frente à reitoria, apitos, gritos e cornetas.
O governador não passou por ali hoje e nem passa nunca.
O prefeito não passou por ali hoje e nem passa nunca.
O vereador não passou por ali hoje e nem passa nunca.
O jornalista também não passou por ali hoje,
E também não passa nunca.
O protesto só atrapalhou o pobre trabalhador no ônibus
Que hoje chegou atrasado no trabalho.
O protesto passou e Ninguém viu.


***

É assim. O povo faz passeata e simplesmente se junta pra fazer barulho e chamar a atenção deles mesmos. A gente não consegue nada ser organização e uma união verdadeira entre quem quer que sejam os participantes do protesto. É preciso ver quem se quer atingir pra saber como atingir. No fim das contas... puro marketing.
Esse protesto que eu estou citando aconteceu em frente à Reitoria da UFBa em Salvador, hoje, 14/08/09, pela manhã, Deus sabe lá o motivo, mas morreu na contra-mão atrapalhando o tráfego.

03 agosto 2009

Nada sério

Um dos
Dois em
Três ou
Quatro dias
Cinco pra
Seis horas
Sete crianças
Oito pro
Céu de amarelinha

Um desses
Dois voam
Três escondidos
Salve salvem
Todos nós

Meu sonho
E vontade
Seu também
Meu bem
Só nosso

Chave minha
Cadeado seu

Sonho de menino é eterno
Trivial, nada sério

*Homenagem ao blog de minha querida Gêiza Maria

31 julho 2009

Johnny do beco

Na porta do almoço pedindo esmolas menino
De qualquer valor que seja
Só pra suprir um pouquinho da pobreza
Sem me pedir opinião nem conselho
Sem saber se eu tinha ou não
Pra gastar com sopa, droga ou pão
E voltar depois, morar no lixo

Porta de casa, barro, magra cadela
De qualquer valor que seja
Só pra suprir um pouquinho da agonia
Qualquer olhar já serve ou um não que seja
Pra lembrar que é gente também
Que parece de mal mas é de bem
E livrai de todo mal, do mal, amém

19 julho 2009

Ma beibe baía

Ma beibe baía
Da baía da Bahia
Sim, da baía da Bahia

Ó chique ma beibe baía
De santana ou de Maria
Ma beibe todo dia

Beibe baía minha mulher
Ma beibe da vida brasil
De vermelho ardil e de chique poesia
Rima de anil, de maio e de maio até abril
De barra de praia de ginga e palavra
De dança e de rua, de crença e de casa

Ma beibe baía, ó sim
Da Bahia, ó sim da Bahia
Musa musa chuique de mim
Beibe sim, baía sim
Beibe ma baía
Ma beibe baía

10 julho 2009

Opa! Menino de rua

Um num poste, outro no outro
Um me pede, outro também
Não dou pra um nem pro outro
Se um não tem, outro também
Um que nem o outro
Outro que nem o um
E eu? Eu também

09 julho 2009

Vai um tempo que não rola

Ele pensou que ia dar certo
Que ia ser pra sempre assim
E que chacota...

Caramba moça
Ele não podia ter te visto antes?
Não podia ser feliz assim desse jeitinho?

Pra que tanta patota
Pra que quer ser ruim?
É nessa de bonzinho que dá certo no fim

Caramba seu moço...
Não dá pra deixar pra depois
Não dá pra esperar mais não

Olha ali adiante ó
Cê já viu, pra que fingir
É tudo claro e evidente

Não há do que fugir
Nem de você, nem de mim
Nem dela, nem do fim

Eu tô falando da vida
Só da vida... só
Ai ai... a vida...

06 março 2008

Pela felicidade

Pela felicidade do povo da terra
Pela alegria que eu não encontro mais
Em todo dia que eu olho esses olhos
Que eu choro que eu grito menino rapaz

Menina mocinha mulher toda ela
Que chora escondida deitada na cama
Que sofre de amor que pena que chora
Não sabe se é fome se é frio porque chama

Essa mulher ai ai
Esse mocinho rapaz
Que já não sofre mais

Olha olha ela cantando
Olha olha ele gostando
É essa alegria
O que tava faltando

16 janeiro 2008

Solar

Debaixo da sombra do meu pesar
Meu pesar deixa meu corpo curvo
Meu andar se torna fatigante
Se torna solitário andar
Me torna mais um pobre coitado

Ao meu redor o povo é o mesmo povo de sempre
Casas são as casas de sempre
E os bueiros os mesmos também
Os caminhos levam aos mesmos cantos
Mesmos cantos de sempre

Nesses redemoinhos de vento eu paro
Levanto minha cabeça e meu olhar vem junto
E o horizonte é o mesmo de sempre
E as palavras ditas como antes
Ouvidas ou não como sempre foram

Mas consigo um instante dessa luz pra mim
E à luz desse Sol eu vejo além
Se faz uma nova paisagem à minhas vistas
É quando todo o preto e branco se colore
Mudando o que antes eu chamava monótono

Apenas pela muda do jeito de olhar
Apenas pela leveza de um momento
Apenas pelo vento que soprou no meu pé de ouvido
E pelo monólogo que dialogou na minha cabeça
Por isso tudo eu mudei e vi

E se torna largo o caminho em frente
Claro o calçamento de pedras polidas e coloridas
Viva a flor à beira da calçada
Afastada dos pés humanos que lhe assombra
E das lagartas de fogo que lhe queimam

A consciência agora é limpa
E o olhar objetivo
Objetiva a nova oratória
Concisas as idéias
Coerentes as ações

Tudo só por causa do novo jeito de amar
Por descobrir onde se limita a vida
E a descoberta de que esse limite não encerra
É uma porta a ser transposta
Com uma chave que ainda não lhe cabe no bolso

O sol brilha e brilhará
A luz da lua também
Na luminária da minha cabeceira mando eu
E na clarabóia e na janela que são minhas
Solar

12 janeiro 2008

Depois de tudo

A mãe de jorge morreu
A tia dele foi também
Jorge agora está sozinho
Num velho casarão onde não mora ninguém
Helinho foi embora
Joana casou e teve três
O cachorro foi roubado por alguém
E ele não quer largar tudo de vez
Tudo que restou foi um costume
Acordar todo dia e ir para a janela
Num mesmo cômodo onde sua vida toda se ajunta
E ainda com frio diz que a vida é justa e bela
Eu fiquei ouvindo Jorge falar
Ouvi suas súplicas que eu não podia atender
Jorge chorou
Se angustiou
Suspirou e olhou
Eu disse "calma" ele disse:
"Ô! Ai ai..."